terça-feira, 5 de julho de 2011

Monólogo

Como sempre tenho mais um blog abandonado. Já me acostumei com isso, até porque blogs, para mim, nada mais são do que válvulas de escape para alguma coisa que sinto. Aliás, a escrita sempre teve tal significado em minha vida.

Minha ausência não representa que não precisei colocar nada pra fora por todo esse tempo, só representa que até mesmo o desabafo tem hora pra acontecer. Não é simplesmente me sentir mal, estranha, ou de uma forma que não permita explicação, é algo que acontece quando tudo isso se mistura e somente as palavras, jogadas ou não ao vento, poderão aliviar-me.

Posso dizer que minha vontade pela escrita se dá quando não tenho a quem recorrer, ou mesmo quando tenho, mas já fiz tanto uso de tal ombro, que não me sinto mais à vontade. Nesses momentos realmente só uma boa redação pode me deixar mais leve.

Talvez isso ocorra porque escrever nada mais é que conversar sozinho sem parecer tão insano. É apresentar-se a si mesmo, como em um encontro marcado com um amigo para colocar o papo em dia. Nada mais purificante que conhecer seus próprios anseios e tentar por si só solucioná-los.

Creio que durante um período, não sei se longo ou curto, estarei mais disposta a visitar essa página, deixar alguns pensamentos, que só farão sentido pra mim. Minha mente não anda muito tranquila, está inquieta como uma criança que acaba de ter uma emoção muito forte. Veremos o que acontecerá nos próximos capítulos. Por enquanto é somente isso.

Até logo, ou talvez nem tão logo assim.

Izabella Sales

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Palavras ao vento



Algumas coisas só se consegue fazer em determinadas fases da vida. De que vale viver, se não se pode arriscar? E alguns riscos só têm uma época para poderem ser experimentados. O que fazer quando essa fase da vida foi perdida? O que fazer quando se perde os melhores momentos por detrás da busca de algo que nunca foi seu? Quando se percebe essa perda um tanto quanto tardiamente?

Não é fácil olhar para trás e perceber que tudo que foi feito foi vazio, um emaranhado de contradições nunca antes percebidas. Que palavras ditas, hoje são repudiadas pela própria boca que as proferiu. Perceber que o ideal de vida foi apunhalado pela ignorância que um dia faziam parte do ser. Ignorância essa que foi fortalecida pela falta de coragem de se deparar com a repressão de quem se gosta e a preguiça de conhecer o que se quer. É doloroso ver que hoje a pessoa que mais importa é a mais prejudicada pelo medo que a atormentava.

Começar do zero é difícil,mas por vezes vale a pena. Não se é possível voltar, mas é possível um novo começo. As coisas antigas ainda estarão lá. As memórias não podem ser apagadas. E mesmo que pudessem, sempre existe algo para retomar o tormento. O desafio então é continuar com a dor e usá-la para traçar um novo rumo, novas percepções de vida e então assim talvez poder se firmar com o que realmente se é, deixando de lado o querer e nunca conseguir simplesmente por nunca se tratar da essência do que o torna real.